O Repertório na formação musical

Saiba porque o repertório tem tanta importância na formação de um musico.
Por Rafael Vicole


            É divertido lembrar a época em que nos dedicávamos à escuta de tudo que gostamos. Quando dedicávamos um tempo enorme para audição de nossos ‘heróis da música’, defendendo-os com unhas e dentes.
Porém, eliminar o preconceito com os mais diversos tipos de música é essencial para nosso crescimento musical e intelectual, pois trabalhar repertório é muito mais que apenas ouvir música: é pesquisar sobre aspectos históricos de seus compositores; a época de composição, sua função na história e evolução musical, para citar apenas alguns exemplos. Estudar repertório, a princípio, é mais fácil do que pensamos. 

Como fazer


Criar o hábito de ouvir um repertório específico por um determinado tempo é mais fácil do que parece. Você pode criar um 'final de semana com Beethoven’, ou seja, escutar as sinfonias, concertos, sonatas para piano; tudo em um único final de semana (embora isso gaste muito tempo). Desta forma você pode identificar algumas características do compositor, e “eleger” suas peças favoritas para um estudo mais detalhado no futuro. Isso pode - e deve - ser feito com qualquer compositor que você não tenha muita afinidade, seja na música erudita como na música popular.
 Estudar repertório, ou seja, ouvir músicas que provavelmente não fazem parte da sua escuta diária, pode ser uma tarefa difícil no início, mas com certeza o ajudará em muitas coisas, como estar atento aos detalhes, e até mesmo aprimorar a ‘memória musical’ (que é algo que se adquiri com o tempo).

Outra dica - agora pra quem já tem uma formação musical - se baseia em comprar uma partitura URTEXT (partitura que se aproxima ao máximo do original escrito pelo compositor), ou mais partituras, se você tiver muito tempo para dedicar a isso (aconselho a começar por uma). Pode fazer uma boa análise dela, a sua estrutura formal, o texto (se for música vocal), análises harmônicas, entre outros. No meu caso, gosto de ter partituras de editoras consagradas como Henleverlag, Barenreiter, mas você pode encontrar muito material na internet, embora coisas como prefácio falando sobre a obra, compositor e período, ou livros que acompanham as partituras provavelmente não encontrará fácil na web.
Desta forma, após o seu final de semana com ‘Beethoven’, e tendo em mãos as partituras que te interessam, poderá iniciar um estudo mais aprofundado, e fazer uma análise mais completa no âmbito harmônico, formal, até mesmo a orquestração (é importante tentar tocar ao piano, mesmo que uma ou duas vozes,  apenas para ter a experiência de realmente “colocar a mão na - massa - partitura”).
Cabe a você escolher qual das dicas quer por em prática: um final de semana com um compositor ou uma partitura por mês – eu aconselho as duas. Sendo assim, é só organizar seus “Beethoven-days”, “Mozart-days”, “Shostakovich-days”, ou ainda “Beatles-days” (para os músicos populares), e mergulhar de vez no repertório.

Algo mais:
Outra dica é não ficar apenas nos compositores “midiáticos”. Existe muita música boa sendo feita hoje em dia. Pense nestas perguntas: Quantos sinfonias do Carl Nielsen você já ouviu? Você sabe quem é Bohuslav Martinu? Quantas músicas do Esa-Pekka Salonen, ou do Ärvo Part você já ouviu? Você sabia que o Guerra-peixe tem ótimas composições dodecafônicas? 

Aproveite; descubra músicas novas e bom estudo de repertório.

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Rafael Vicole é bacharel em composição pela uni-FiamFaam, estuda regência com o maestro Rodrigo Vitta. É bolsista do Internationalconductinginstitute(NY) fazendo aprimoramento em regência orquestral na cidade de Kromeriz na Republica Tcheca com o maestro Kirk Trevor. É diretor artístico e regente titular da Camerata Wein, orquestra jovem de repertório Manfredo de Vincenzo e regente associado da associação coral cidade de São Paulo. Acesse: www.rafaelvicole.com.
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