Meu tempo é quando...

... de tarde, amanheço
de noite, ardo...
Ando onde há espaço
meu tempo é quando.

Com um desempenho emotivo, segundo o crítico Tárick de Souza, Tom Jobim fala os versos do parceiro no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, que promove o ciclo Vinicius de Moraes - Meu tempo é quando, em janeiro de 1990. Na apresentação, Tom está ao lado do filho Paulo Jobim (violão), Jacques Morelenbaum (cello), Danilo Caymmi (flauta) e Paula Morelenbaum (vocais). O registro dessa homenagem permaneceu inédito durante dez anos - somente seria lançado em disco, em 2000 pela Jobim Music, com o título Tom canta Vinicius. Entre as 17 músicas, observa Tárik, "oito composições da dupla que se tornou entidade da música brasileira moderna. Uma ligação quase mediúnica: ambos morreram em torno dos 67 anos de idade". Além das composições assinadas apenas pelo poeta - Valsa de Eurídice, Serenata do adeus, Medo de amar e Pela luz dos olhos teus - Tom abre a homenagem com o Soneto da separação, que musicou com extremo cuidado - tentei não atrapalhar o soneto com a música -, e não economiza elogios ao talento musical do poeta na introdução de cada uma de suas obras. Foi a morte de Vinicius que me deu a convicção de que não somos imortais - ele dizia. Seja como for, ao cantar Vinicius Tom reacendeu a certeza de que a sua parceria sobreviveria a eles e ao seu próprio tempo.

Mais Tom Jobim em: Andando com Tom


Fonte: Anotações com Arte

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''A vida tem trilha sonora''