John Cage - 4'33" by David Tudor

Num post anterior enfatizei que para entender o que é música é pertinente entender o que é som e que música é a arte de organizar os sons.

Mas e o silêncio?
O silêncio faz parte da música?
O que vem a ser o silêncio na música?

Afinal, o que é silêncio?

De acordo com o dicionário Aurélio de Lingua Portuguesa, silêncio é:
1. Estado de quem se cala. 2. Interrupção de correspondência epistolar. 3. Ausência de ruído. 4. Sossego, calma. 5. Sigilo, segredo.

Dentre as definições que sugere o Aurélio, silêncio é a ausência de ruído. O mesmo dicionário define ruído como “qualquer som”. A partir dessas considerações seria possível então definir silêncio como a ausência de som?
Sabemos que o som é constituído por vibrações, as vibrações por sua vez só existem a partir de movimento. Se tudo encontra-se em constante movimento, seria equivocado definir silêncio como a ausência total de som e consequentemente seria também equivocada a idéia de “silêncio absoluto”.
Quando se fala em silêncio, fala-se de algo relativo. Por exemplo, uma vibração de 31.000 ciclos por segundo é “silencio” para o ser humano, mas não para um cachorro. Esse índice vibratório não é detectado pelo ouvido humano, mas sim pelo de alguns animais, como o cão, por exemplo. Mergulhado num meio pleno de vibração de 31.000 c/s um homem diria estar no “silêncio”, contudo um cachorro não "diria" o mesmo, pois este índice de vibração é perfeitamente perceptível para ele.

E na música?
A música é constituída somente de sons, ou o silêncio também faz parte da música?
Como vimos, não existe silêncio absoluto. Na música, porém, o que chamamos erroneamente por silêncio (ausência de sons ou ruídos) nada mais é do que as pausas. As pausas recheiam as partituras cheias de notas musicais e é tão importante quanto tudo que se escreve sobre o pentagrama. Uma música sem pausas seria como uma música “sem respiração”.

Para fechar essa pequena discussão, deixo um vídeo sobre uma obra muito polêmica acerca do “silêncio” na música. A obra 4’33 de Jonh Cage.
Essa peça para piano intitulada 4’33 (lê-se quatro minutos e trinta e três segundos) não possui nenhuma nota, sendo composta inteiramente por pausas.
Há relatos de que na primeira apresentação pública dessa obra, o pianista convidado para interpretar a peça entrou no palco, abriu a tampa do piano, e ficou parado; interrompendo o silêncio apenas para mudar a página da partitura (afinal, ele estava acompanhando as pausas). Ocasionalmente, ele fechava e abria novamente a tampa do piano, para indicar um novo movimento da música. O público inicialmente ficou quieto tentando entender o que estava acontecendo. Após um tempo começaram a surgir os cochichos, as conversas, e então os protestos, daqueles que se sentiam lesados por terem pago para não ouvir nada!
O nome da música, 4'33", foi o tempo máximo que o público conseguiu ouvir o silêncio sem reclamar. Mais tarde, o autor explicaria que 4'33" não é uma música composta apenas de silêncio. A música, na verdade, era formada pelos sons ambientes dentro do teatro. Ou seja, 4'33" é uma música única, pois é diferente toda vez que é apresentada; e atinge o atual ideal de interatividade, onde o próprio público faz os barulhos de que ela é formada.
O mais interessante é que para testar os limites de sua criação, Cage ouviu sua criação dentro uma câmera anecóica, (uma sala construída de tal modo a cancelar todos os ruídos ambientes). Ainda assim, Cage não ouviu o silêncio absoluto. Ele ainda conseguia ouvir um único som: o ruído do próprio coração.


Dani Sancon.

Gustav Holst - The Planet I Marte



Qualquer semelhaça com a música de STAR WARS é mera coincidencia!


Gustav Houlst, nascido em setembro de 1984, morreu em 1934, sendo assim, nunca nem ao menos ter ouvido falar de qualquer 'guerra estelar'. Ora, e porque a semelhança?
A resposta está mais clara do que nunca.
Compositores desse período pós-romantico adquiriram uma riqueza timbristica, e não só pelos mais diferentes intrumentos da orquestra moderna, mas também harmonicamente, e por que não ritmicamente. E foi essa a riqueza que a música de cinema herdou, ou tomou como herança do período romantico tardio.
Deve-se destacar, no caso do vídeo acima, como essa música rapidamente nos leva a todos os filmes de ficção que conhecemos, e não é por acaso. Realmente, a maioria dos mais bem sucedidos compositores do cinema mundial hoje, tem fortes ligações com a música de Mahler, Bruckner, Holst, Gershwin, entre outros tantos que não podemos citar aqui por 'falta de espaço'.
Porém, isso não torna música cinematografica um plágio disfarçado. Jamais! Hoje, temos compositores como John Williams, James Newton Howard, Howard Shore, Michael Giachinno, e muitos outros, que adquiriram um estilo próprio, claro que com muita influência de seus antecessores pós-romanticos, mas mesmo assim com uma linguagem caracteristica.

...Afinal, todos somos influenciados por alguem, ou alguns, em nossa vida, e em nosso trabalho. E o que é a arte, senão a mais pura forma de declaração do EU em conflito com a SOCIEDADE em que vivemos. O primeiro artista foi influenciado pela natureza, e assim foram sendo influenciados seus predecessores, que por fim, sempre se voltam à natureza, quando querem encontrar a 'simples forma da verdade', como diz uma frase conhecida de Malheiro Dias:
''A arte não consiste em desfigurar a verdade em artifício, mas em emprestar a este, a fisionomia mais simples da verdade''.

Falando de Música

O que é música?
Para entender o que é música é pertinente entender o que é som.
O que é som? A vida é som. Continuamente estamos cercados de sons (e ruídos) oriundos da natureza e das várias formas de vida que ela produz.
O som está por toda a parte: o borbulhar das águas, o ruído dos trovões, o sussurro das folhas ao vento, o canto dos animais...
O homem, por sua vez, fala e canta há milhares de anos e, graças ao seu ouvido maravilhosamente construído consegue perceber os diversos sons e ruídos que o rodeia.
Todos (salvo excessões) nascemos com capacidade musical: voz e ouvido.
A influência da música sobre a mente humana é sobremaneira grande. Para exprimir os sentimentos, o homem serve-se de sons e cria a música que o ajuda a exteriorizar a felicidade, a tristeza, o amor, os instintos bélicos, a crença em Deus, a dança e tudo mais que há em seu interior.
A partir dessas considerações; poderia-se dizer, de forma bastante ampla, que música é a arte de organizar os sons ; ou seja, a arte de manifestar os diversos afetos da alma humana mediante o som.
Porém, há um grande problema em definir o que seja música; pois definir implica também em limitar, e a música por sua vez não deve ser limitada.
Particularmente gosto muito de uma resposta dada por Kurt Pahlen* à um aluno seu, quando este o perguntou "- Que é a música?":
 "- A música é um fenômeno acústico para o prosaico; um problema de melodia, harmonia e ritmo para o teórico; e o desdobrar das asas da alma, o despertar e a realização de todos os sonhos e anseios de quem verdadeiramente a ama...".

*Kurt Pahlen (1907-2003), vienense de nascimento, foi compositor, regente e grande musicólogo, sendo que passou grande parte da sua vida na América do Sul e escreveu diversos livros sobre música (mais de 60 livros), entre eles o livro “História Universal da Música”.

Daniela Sancon.

YOUTUBE na mira da polícia!!!

Recentemente li em uma notícia na internet, sobre algumas ações que o Youtube deve tomar até o fim do ano em relação a Direitos Autorais, cópia não autorizada de músicas, e outras coisas menos importantes.
É difícil de imaginar como farão isso. Hoje o Youtube é o maior site - visualizador de vídeos do mundo, contendo vídeos do mundo todo, de todos os cantos deste planeta (e há quem acredita que contenha coisas de outros planetas... rs)..
... E umas das decisões tomadas pela diretoria do site é que qualquer utilização de música sobre fins próprios, por exemplo, colocar uma música de algum cantor num vídeo que voce fez para sua namorada, além de multado, a música será retirada do seu vídeo.
A proposta está para ser colocada em prática até o fim do ano, aqui no Brasil, mas em alguns lugares, e mesmo em sites de relacionamento, ja se pode ver usuários criticando a prática, que já tem ocorrido por aqui.
É certo que não se deve fazer uso de cópias protegidas, ou qualquer outra coisa que viole os Direitos Autorais; mas também é certo que esse problema 'quase' não tem solução mais.
Além do Youtube, temos diversos outros meios de divulgação pela internet, onde usuários fazem uso de todo tipo de 'conteúdo infrator' (expressão do próprio Youtube).

Claramente, os menos afetados por essas 'ações anticriminais' são os simples usuários, que entram apenas para ver os vídeos dos outros, ou ainda, os artistas amadores, que como eu, fazem suas interpretações de tudo que gira no mundo da música (ou quase tudo), e postam os vídeos com o único intuito de divulgar nosso trabalho, e não o dos outros.

9 11

NOVE UM UM...
9 11...
11 de Setembro...

Não importa como seja dito, ou o que seja dito, esta data está intrinsicamente relacionada a ''terror''.
É notável o medo em relação a esta palavra e a tudo que ela representa. Felizmente, nosso país não tem tantas preocupações assim quanto a isso; ou tem?


Mas é também impressionante como a 'supremacia' americana, o patriotismo desse povo, cresce a cada atentado. Interessante também como o próprio país fica mais forte, e quando eu digo o próprio país, estou falando do seu governo.

Claro, porque o povo é apenas fantoche do seu governo, e não somente lá, mas aqui também, e em qualquer outro lugar no mundo.
É uma grande mentira dizer que o povo faz  a nação. O povo apenas faz o que a nação dita, o que a nação manda, e nesse caso, o governo, 'todo poderoso'.
Finalmente, a indignação é real. Realmente pessoas morrem todos os dias com o que chamamos de terrorismo.
E o que fica, é a imagem triste e cruel, de famílias inteiras destruídas.


Fotos tirada de: The new York Times
''A vida tem trilha sonora''